Decerto que andar, andamos. Mas nos resta muito chão a palmilhar. Dele, arrancamos as ervas daninhas do clientelismo. E, nele, brotam já sementes à espera da justiça social. Sinal disso, olhares e créditos atraidos do país e do mundo. Dissensões rnuitas (é verdade) no curso dessa jornada. E solidões, em crescendo, a quedar nos “monólogos coletivos” (de Plaget), a balbuciar dissonâncias.
E o sonho? Acabou? Não! Mas é hora sim de reconvocação geral, para a correção de rumos e trilhos, em seu percurso. No grupo. há quem não seja tão otimista: intelectuais, gestores e politicos, outrora abertos em fórum, agora se fecham, descrentes, em seus próprios conflitos. E os partidos políticos vêem-se a carimbar, com marcas de ferro-em-brasa, reses levadas por “donos” onde quer que os atraia o poder.
Sem saída! À porta, o trinco enguiça. E, no grupo, um empresário (por ironia, o mais descrente) é quem dá com uma janela por onde saltamos. E esta janela, como símbolo, me fica. Quem sabe, a saída é mudar de ótica e ver os conflitos, produtivos, como diálogo a sanar arranhões e recobrar, ao seio do coletivo, as solidões.
Sem isso, é malhar em frios governos e sonhos, sem mítica e participação, em caminhada sem horizontes. E pior: sem sal e sem cor!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).