O novo slogan, mais que bordões ou “temas transversais” em nossa pedagogia, tem forte apelo popular. Tanto assim que, na caudal da “Vai Vai”, hoje figuram empresários, artistas e – diz pesquisa – o povão, para os quais educação é “capital social e humano” ou “força criativa”.
Dias atrás, no Ceará, geração histórica, ora partida em duas facções políticas, postava-se em auditórios contíguos na FIEC. Num, a discutir o ensino profissional (Centecs e CVTs), alastrando-se hoje por Minas, São Paulo e o País, sob o lema “sem arte e sem ofício, não se é filho de Deus” (Dom Aureliano a Ariosto Holanda). Noutro, os programas históricos de redução da pobreza, no Ceará. Neste, José Serra, a elogiar programas como o das “rezadeiras e parteiras leigas”, de Galba Araújo, a alastrar-se pelo País e o mundo. Técnicos de Israel a nos mostrar expressivos índices de tal redução. Eloqüentes depoimentos: a) menino de rua hoje professor universitário; b) ex-favelado ora notório causídico nas causas populares.
Como nos desfiles de carnaval, a educação nutre-se das lições do ensaio-e-erro. Escola de samba, nela desfilam os que, do nascer ao morrer, tangidos pela cumplicidade das arquibancadas, deságuam, afinal, na “praça da dispersão” do ser humano, em sua tríplice face, a atingir o sustentável desenvolvimento, integrada pelo profissional, o cidadão e a pessoa, em novo abolicionismo.
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).