Mais de um ano faz. Meu nome a figurar em lista negra de tais órgãos, sem qualquer cobrança ou notificação prévia a mim. Empresas e lojas, sem jeito, a me esconderem as razões da restrição ao crédito. Só a custo, o gerente de uma delas me mostra, na tela do computador, a empresa: Globo Cabo/net São Paulo Ltda. Débitos a variar ora de 30 mil ora de 300 reais. E, recente, novo ataque. Aí, resolvo, ante o estelionato sofrido, ir à Justiça, em ação por danos morais.
Longo ritual. Na polícia, boletins de ocorrência. Nos órgãos de proteção ao crédito e direitos do consumidor, informações e surpresas. A empresa, sem registro e sequer endereço. Em São Paulo, a confissão de não registro na Junta Comercial. Dois telefones inexistentes… Nos cartórios, ausência de títulos protestados, em meu nome, e das instituições que dirigi. E a ética e lisura transparentes em minha história de vida, em títulos e documentos.
Em tudo isso, confesso. Cidadão, “cansei”.Vendedores de seguros, dois anos atrás, apondo-me, direto no alto escalão de Brasília, na folha de pagamento da UFC, seguros inválidos ou benefícios de fictícias empresas. Dois meses atrás, supostos “débitos autorizados” (sic) em minha conta bancária por fictícia entidade no Maranhão, eu é que tendo de provar a não autorização do estelionato…
Perdoem-me, pois, Chico Buarque e a dupla. A dor da gente, sim, há que sair e ser notícia no jornal, a denunciar estelionatos e em defesa do cidadão, destino e razão da democracia!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).