Em nós alunos, traço comum nos ficou. Ali, nas Ipueiras das “águas retiradas”, berço da fratricida luta entre “mellos e mourões”, a se metamorfosear nos embates de então entre os velhos PSD e UDN, quem nos educava, infundia, em nós, a lição da pacificação.
De Ipueiras, saíra impulsionado por Dona Ester, sua mãe, Gerardo Melo Mourão, que, na expressão de Carlos Drummond de Andrade, é o “nosso Dante”, poeta maior. Mas, por ironia, nem mesmo esse “poeta maior” alça-se a “ícone”, em sua terra, onde bustos, placas de ruas, praças e monumentos outros cultuam os feitos dos “coronéis” de outrora… E, nesse tom, é a própria vida política que reedita, de surda forma, os fratricidas conflitos entre “melos e mourões”.
Hoje, quando vemos mais claro o papel de “indústria sem chaminé” a gerar “capital humano”, sob a atmosfera da “responsabilidade social”, é hora de revermos a “galeria dos ícones” nas “retiradas águas”. E, de mim, “escrevente compromissado” do cartório ali de meu pai, aponho, com vibração, a minha rubrica: “Dou fé e assino”. O tributo, pois, a Isa Catunda! Que ela abra tal galeria para quantos, pelas vias do educar, vêm construindo a convivência social em Ipueiras!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).