Desde os anos 80, pró-reitor de extensão na UFC e a presidir após o Conselho de Educação do Ceará, apostei, na contramão de muitos, na produtiva metonímia entre a escola e a solidariedade esportiva. Nisso, tive de enfrentar as dominantes e falsas posturas igualitaristas, na crença de que a produção humana, para além da clássica trilogia “natureza, trabalho e capital”, há que conjugar as inteligências múltiplas, a emoção e o ético a cimentá-la. O saber, num mundo de fome, a multiplicar os pães, apartando águas num Mar Vermelho, rumo à prometida terra, onde corram dignidade e justiça social.
Não vi, nas escolas, com tais olimpíadas, receados individualismos, mas, ao invés, o resgate de sua alma perdida e da já débil sedução do saber entre os alunos. Daí, a paixão pelo estudo e o senso da agregação. A olímpica paixão esportiva a suplantar a aridez do dever, dando sentido à escola.
O Ceará vive a euforia de suas potencialidades (refinaria, pré-sal, siderúrgica, minas de Itataia). Sem o saber, capital humano, investindo nas solitárias “bolsas-família”, teremos de importar capital (humano e físico) de fora. E, mais uma vez, qual o alencarino Moacir, o filho da dor, de nos tornar aves de arribação. Seria a predestinação de uma raça?
Por isso, razão aos batalhadores como Sérgio Melo, hoje nacional coordenador da Olimpíada de Química. A esses, tributo e parabéns nossos!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).