Auditório do BNB/Passaré, em Fortaleza. XIX Encontro Estadual de Política e Administração da Educação. Tema – “A escola e a educação para a cidadania”. Da professora Maria Luíza Barbosa Chaves, recebo convite para debatedor sobre “Cidadania e gestão democrática na educação”. No encontro, vejo-me, mais que educador, cronista de latentes “não-ditos”…
A palestra inaugural fala do jogo entre a utopia e o real, a perpassar o diálogo entre escola, família e sociedade, os três como se num desacerto e piagetiano “monólogo coletivo”. Discussões que, nascidas aqui e alhures, ostentam horizontes palpáveis: os agentes da educação, cada qual “em seu quadrado”, a ensaiar parcerias e nortes possíveis. Mais que isso, o brotar de parcerias, nas relações sociais, familiares e escolares, e feição nova desenhando-se numa democracia não mais império da maioria, mas as minorias em caleidoscópico e construtivo diálogo.
Hoje, na escola, no País e em nossa sociedade, quedam por terra os velhos conceitos do intra e extra … muros.O planeta e a vida, urbs et orbis, ingressam em nosso ciclo. Sobre nós, abate-se apocalipse em sua revelação sadia (esperamos) a passar a limpo a sociedade, a família e escola. Reedita-se, cíclica, a cena pentecostal das línguas-de-fogo, das inteligências múltiplas e da feição nova de nossa democracia, onde possamos, em nossas diferenças, conviver em produtivo diálogo.
Hoje, dados internacionais ostentam-nos o porto aonde chegarmos. A despeito do “todos por uma educação de qualidade para todos”, lá estamos entre os 62 piores países do mundo. Onde erramos? Esquecemo-nos do novo: das “línguas de fogo”, “inteligências múltiplas”, o “quadrado” e visão pessoal de cada um.
É batermos meas culpas ao peito e clamarmos por um novo e urgente amanhecer, em nossa educação!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
