Vamos ensinar a pescar – Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

No Ceará (é bordão em meus artigos), economia e política alternam-se, como nossos rios, em cheias e secas. Exemplos recentes entre nós, a União pelo Ceará, com Virgílio Távora, a superar as velhas rixas entre PSD e UDN. Em 1984, Celso Furtado, voltado do exílio político, dava-nos conta, nos Encontros Culturais da UFC de que os ciclos, no País, vêm e se vão de 15 a 18 anos, daí nascendo, o “projeto das mudanças” liderado pelos à época “jovens empresários do CIC”, à frente Tasso Jereissati. Agora, um desses “jovens empresários”, por alguns chamado “o Samurai do Cambeba” e hoje a levar à frente, na presidência da Transpetro, os sonhos do Barão de Mauá, em nossa indústria naval, adverte-nos para a chegada de novo ciclo – político e econômico – entre nós. Sérgio Machado aponta-nos estratégicas presenças de cearenses na vida política e social, no cenário nacional, que poderiam, sob o diapasão do olhar mais alto, re/unir, num “Partido do Ceará”, forças nossas hoje em desperdício, nos poderes executivo, legislativo e judiciário do País.

Em O POVO, Sérgio Machado nos diz que sua intenção “é explicitar as características do nosso mercado e caminhos do treinamento e do crédito. Não vamos dar o peixe, mas ensinar a pescar”. De minha parte, sou partidário, sim, do “dar de comer a quem tem fome”. Mas insisto: “… uma esmola a um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão” (Zé Dantas e Luiz Gonzaga). E, não mais que Pero Vaz de Caminha, nessa jornada, ecoa-me a lição que, no Auditório Castelo Branco (UFC), deixou-nos Celso Furtado: “Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento”. Esse, o horizonte de um desenvolvimento sustentável. É a esperança de todos nós!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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