Invernada – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

No tempo da invernada
O canto da passarada
Encanto meu coração.

Borboletas fazem festa
Sapos afinam sua orquestra
Canta e sorrir o sertão.

Chananas bordam o chão.
Entre salsas e muçambês.
Nos galhos do sabiá
A brancura do florescer.

Carnaúbas batem palmas,
Sentindo o frescor da brisa.
O sol por entre as nuvens,
Meio apagado desliza.

É a estação das chuvas
Trazendo seu esplendor.
É a peitica cantando,
Seu canto repetidor.

É a presença do campina,
Os arrulhos da fogo-pago.
É a alegria do verde,
Que com a chuva brotou.

É a enxada no ombro,
Do nosso agricultor,
Que não carece de esmola
Nem foge ao seu labor.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

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