O Jatobá transbordou,
O rio tá botando água!
A molecada se agitou.
E o povo da cidade
Para ver a novidade
Na chuva até se molhou.
Menino pulando da ponte,
Fazendo estripulia.
Com o rio botando água,
Era o que mais se via.
Filho de bananeira
Passava nas carreiras
E na correnteza sumia
O jatobá se zangou
Ficou de toda largura.
Nunca vi cheia maior,
Falava uma criatura,
Vendo a água que corria
Apreciando a magia
Vendo acabar a secura.
Oposto que a meninada
Já preparou o landuá,
Ou garrafa com farinha
Para piaba pescar,
Depois bem salgadinhas
Torrada e com farinha
Melhor tira gosto não há.
As lavadeiras, garanto!
Já começaram a cantar,
Cantigas de bater roupa
Nas pedras do jatobá.
É grande a animação
Aqui neste meu sertão
Ao ver a chuva chegar.
Debaixo das oiticicas,
Nas pedras do Jatobá,
Com cachaça e tira gosto,
Diversão maior não há.
Mas isso só tem sabor
Pra quem é do interior
Ou quem já viveu por lá.
Eu só queria saber,
Responda-me, por favor:
Quem tomou banho de rio,
E já morou no interior.
Se não bate uma vontade
De rever a antiga cidade,
Ou só eu sinto esse amor?
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.