
Às vezes ainda pisca,
E minha mente alumia.
O facho esfumaçado
Que antigamente eu vi,
No cantinho da alcova
Que no sertão eu dormia.
Eu ficava maravilhada
Olhando de manhãzinha
Mamãe acendendo o fogo
Naquela rústica cozinha,
Nas mãos o mesmo lume
Que alumiava a noitinha.
De vidro, zinco ou de lata,
De muitos modelos era ela.
Tinha uma alça para segurar,
E um pavio enfiado nela.
Nos velhos tempos, garanto,
Ninguém abria a mão dela.
Quem um dia não recorreu
A luz de uma lamparina?
Lá dos cafundós do sertão
Eu nunca fugi dessa sina.
Já acendi e soprei muito,
Seu facho quando menina.
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
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