Por falta de convicção – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Essa é mais uma de minhas proezas adolescentes.

Eu morava no interior e nesse tempo ainda não possuía um vocabulário abrangente. Mas a pouca idade e o pouco estudo permitiam-me o pouco saber.

Eu nunca me encantei com os meninos de minha idade. Achava-os bobos, inexperientes, sem papo, sem graça e coisa e tal…

Um belo dia aconteceu o inusitado, o que poderia ser meu primeiro namoro, com uma pessoa mais velha, foi deveras minha primeira decepção.

Morava em minha rua uma professora que vira-volta era visitada pelos parentes.

Certa tarde vislumbrei uma visita diferente ocupando uma cadeira na calçada da dita professora.
Era um rapaz bem parecido, bem vestido e para uma quase menina que não tinha ainda parâmetros para comparar, era um príncipe das caatingas, em figura de gente.

Pois bem, eu muito enxerida, comecei a andar pra lá e pra cá na calçada. Ainda recordo quando uma amiga gritou:

-Vai afundar a calçada!

Não demorou muito o belo exemplar abordou-me. Conversa vai… Conversa vem… Ele perguntou se eu gostaria de namorá-lo.

Eu radiante e rapidamente respondi que sim. Até aí, ia tudo muito bem! Eu me sentia nas alturas.

Foi quando ele fez na seqüência mais uma indagação:

-Você tem Convicção?

E eu assustada respondi:- Não menino tu é doido?

Agora me pergunte o que eu imaginei, naquela hora, que fosse convicção?

-Você sabe? Nem eu!

O que sei é que por falta de convicção, perdi o que seria meu primeiro namorado mais velho do que eu.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

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