Eu morava no interior e nesse tempo ainda não possuía um vocabulário abrangente. Mas a pouca idade e o pouco estudo permitiam-me o pouco saber.
Eu nunca me encantei com os meninos de minha idade. Achava-os bobos, inexperientes, sem papo, sem graça e coisa e tal…
Um belo dia aconteceu o inusitado, o que poderia ser meu primeiro namoro, com uma pessoa mais velha, foi deveras minha primeira decepção.
Morava em minha rua uma professora que vira-volta era visitada pelos parentes.
Certa tarde vislumbrei uma visita diferente ocupando uma cadeira na calçada da dita professora.
Era um rapaz bem parecido, bem vestido e para uma quase menina que não tinha ainda parâmetros para comparar, era um príncipe das caatingas, em figura de gente.
Pois bem, eu muito enxerida, comecei a andar pra lá e pra cá na calçada. Ainda recordo quando uma amiga gritou:
-Vai afundar a calçada!
Não demorou muito o belo exemplar abordou-me. Conversa vai… Conversa vem… Ele perguntou se eu gostaria de namorá-lo.
Eu radiante e rapidamente respondi que sim. Até aí, ia tudo muito bem! Eu me sentia nas alturas.
Foi quando ele fez na seqüência mais uma indagação:
-Você tem Convicção?
E eu assustada respondi:- Não menino tu é doido?
Agora me pergunte o que eu imaginei, naquela hora, que fosse convicção?
-Você sabe? Nem eu!
O que sei é que por falta de convicção, perdi o que seria meu primeiro namorado mais velho do que eu.
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.