Toda cidade tem seu “marco zero”, o local exato de onde a cidade nasceu e cresceu.
Quando Ipueiras completou 50 anos de municipalidade, em 1933, o então prefeito da época Sr.
Luiz Moreira de Carvalho para comemorar a data resolveu construir uma praça. Diferente de outras cidades do interior, Ipueiras não cresceu em torno da Igreja Matriz, talvez devido a pouca ostentosidade do templo, que mais parecia uma capela. Portanto o local escolhido foi justamente o maior espaço aberto na época já quase todo cercado por casas.
Limpou-se e aplainou-se o terreno, pois não era plano e tinha algumas caranaúbas.
A praça começou a ser feita, derrubaram-se árvores nativas e plantaram pés-de-figos que serviriam para ornamentar a obra.
No centro um obelisco foi construído, de cor branca e com duas listras azul celeste, separando as passagens de cada fase. Ao pé do mesmo uma placa de bronze indicava que o monumento fora construído em comemoração ao cinqüentenário do município.
Esta praça como foi construída, permaneceu inalterada até meados da década de 40, quando o obelisco foi demolido e decidiu-se então por ser um período posterior à Segunda Guerra, homenagear o grande presidente Getúlio Vargas.
No lugar do obelisco foi erguido um busto ao chefe da Nação.
Algumas características foram mantidas, entre elas uns bancos clássicos da praça primeira, bem como o desenho da calçada de passeio.
Quanto ao obelisco, este ficou somente em fotos raras, relegada ao acesso de poucos.
Então novas mudanças vieram.
Na década de 70, fez-se duas novas praças. A primeira logo demolida, pois era sem graça e tinha poucas árvores, pouco demorou a segunda, com jardins altos e no centro uma fonte, no meio, em cima de duas paredes paralelas feito colunas, o busto de Getúlio Vargas. Assim ficando até a metade da década de 80, quando novamente sofreu a terceira modificação.
A praça que ainda tinha o nome do ex-presidente, sobreviveu ao início do século XXI, mas sofreu uma mudança drástica, o monumento ao ex-presidente foi transferido para um dos lados da mesma e no centro foi construído um quiosque de alvenaria, ainda existente.
Quanto ao busto do presidente, este acabou por ser retirado da praça, e finalmente desapareceu.
Dois ou três anos depois, a praça passou a chamar-se Maria Lima, nome pelo qual é oficialmente conhecida.
Esta praça guarda para a cidade de Ipueiras uma fonte rica de dados, foi nela que fatos importantes, alegres e determinantes para a história da cidade ocorreram.
Mesmo já tendo sofrido muitas mudanças, hoje, embora com outro nome, ainda lá está, no coração da cidade. É a praça principal, a praça que para os da terra, não importa o nome oficial que se dê, será sempre a eterna e mutável Praça Central de Ipueiras.
Publicado no jornal O Povo, de Fortaleza em 11.07.2009
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha
