Os anos se passaram e meu pai, hoje já encanecido adentra as calmas águas das oitenta primaveras.
Durante todo o tempo em que exerceu de forma ativa, dedicada e plena seu papel, sempre soube da real importância que tinha, tem e sempre terá a paternidade.
Nobre tarefa que não se resume em gerar e sustentar um filho.
Mas criá-lo, incutindo nele valores espirituais e morais, mostrando a real primazia dos dois primeiros em relações aos valores materiais, e isto bem o fez.
Nestes anos sua presença constante pela observação soube reconhecer os valores latentes nos filhos e os incentivou a exteriorizá-los para torná-los assim senhores de si.
Sabendo e tendo a responsabilidade de que nos criava para o mundo e nesta consciência agiu de forma equilibrada e responsável.
Quantas vezes meu pai tu não chorastes em silêncio no medo desassossegante de falhar, de não cumprir corretamente sua missão.
E o choro silencioso pelo destino dos filhos por si só já era uma prece ? Sem palavras, mas prece, pois não negava uma sublime rogativa.
Quantas vezes pai pra ensinar não te tornastes duro, quando o coração mandava relaxar e ceder pela alegria temporária porém enquanto a dureza do instante garantiriam horas e anos de alegria. E assim sabendo, firme manteve-se.
Pelo exemplo junto à fiel companheira meu pai muito fez pelos filhos.
Neste caminho muitos percalços, dificuldades superadas, sacrifícios e dores.
Hoje, em silêncio meu pai vê os filhos distantes, mas não deixa de ser feliz, o sentimento de missão cumprida o faz ainda melhor ao lembrar-se de tudo que percorreu e venceu na difícil tarefa da paternidade.
Pai a grandeza e humanidade de teus atos são estímulos imorredouros do dom sagrado do Criador, ao mesmo tempo Pai presente ao mesmo tempo terno Amor.
Meu querido Pai faleceu às 11 horas de 02.08.09
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha
