Nordestinos, continuamos a alimentar saudades dos tempos em que a Sudene tinha seu superintendente a integrar o Conselho Monetário Nacional. Agora, são tempos em que as ideias de Celso e do governo de nossa federação parecem inspirar queixas como as de João Ubaldo Ribeiro, em sua crônica “Luiz Inácio não veio ver Celso”, quando este morreu: “… o fato é que ele não veio. Recitaram-se palavras de pesar, decretou-se luto oficial, escreveram-se necrológios e a herança de Celso Furtado perdurará, ao contrário do poder e da glória do mundo. Nosso irmão Luiz Inácio não veio ver nosso irmão Celso”.
Postas, as candidaturas à presidência de nossa república. E, com elas, a esperança de que as facções políticas enxerguem, em nossa federação, a natural “unidade na diversidade”, imanente no termo desde sua etimologia – de foedus, aliança, em latim) – sepultando equívocos como os dos “dois brasis” e o da confederação do equador. Que todos cantem sua terra, como Celso, ao declarar seu amor ao Nordeste e ao País, aqui, na UFC: “O Nordeste existe pelo seu peso histórico, no Brasil. Pela sua participação demográfica, no Brasil. Pelo fato de que o Brasil nasceu aqui. Ninguém nos dá lição de brasilidade!”
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
