Era vinte três de abril,
Quando tudo aconteceu.
A cidade de Ipueiras
O rei do forró perdeu.
Antes do raiar do sol
Em Sobral ele Morreu.
2
No ano de dois mil e dez
Seu Zeca desencarnou,
Era sábado dia de feira,
Quando ele se enterrou,
A cidade de Ipueiras,
Enlutada então chorou.
3
Quando Seu Zeca partiu,
Partiu também a alegria,
Do povo que em seu forró
Dançava e se divertia
Ninguém nunca vai fazer
As festas como ele fazia.
4
A igreja ficou lotada
De fãs e admiradores.
Gente das redondezas
Lotavam os corredores
Em todo rosto se via
O lacrimejar e dores.
5
Quando eu ouvir sanfona,
No mês de julho gemer,
Vou me lembrar de Zeca,
E a saudade vai doer
E do forró pé-de-serra
Que só ele sabia fazer.
6
Zeca era muito alegre
Era muito brincalhão.
Era uma figura querida
Que encantou o sertão,
Era um homem festeiro,
E gostava de animação.
7
Quem não participou,
Dos churrascos que fazia.
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
