Construída sobre fortes pilares, era estreita, mas era a nossa ponte.
Que no inverno nos ligava ao bairro da Estação para vermos o trem passar e quando o rio enchia, servia de base para os mais simples e perigosos saltos n`água.
Mesmo exaltando seus fortes pilares, que pareciam de rocha pura. A velha ponte não resistiu ao turbilhão de água que, em uma noite de tempestade, em meados da década de oitenta o rio fez descer.
Na época, em compensação, já tínhamos uma outra ponte, nova, mais alta, larga e longa.
No entanto, a ponte que a natureza na sua sanha invernal levou, deixou lembranças.
Foi a ponte que primeiro uniu a cidade repartida pelo jatobá, mesmo sendo um rio sazonal. Era a ponte que rompeu distâncias e impedimentos de transportes, e quando o rio cheio passava por baixo, fazia o doce som da água, quando desafiada em seus domínios, separada em seu leito.
A memória guarda nossas lembranças, e pinta com sentimentos os quadros que guardamos.
Pra muitos hoje, não há como lembrar da ponte velha, por razão de não a terem conhecido. Mas os que dela lembram, certamente jamais a esquecerão.
A ponte velha que antes serviu a muitos passantes, ficou na memória destes, que um dia a cruzaram, e recruzaram, até o dia dela não mais existir.
No seu lugar construíram a Ponte do Idálio, a mais nova e moderna das pontes de Ipueiras e única sobre o jatobá. Ponte esta que nos lembra pelo espaço que hoje ocupa, a velha ponte que da memória não conseguimos apagar.
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.
