Precipitar-se e cair – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Não faz muito tempo liguei para um amigo. Amigo este que zela pelo bem falar e traz a elegância das palavras como regra em sua vida..

— Olá Seu Gonçalo! Tudo Bem?

— Ó nobre acadêmica que bons ventos lhe trazem?

—Liguei para saber do senhor e das novidades da Academia.

—Bom, tenho duas notícias, uma é que o projeto de termos um espaço na feira de São Cristovão saiu, já assinei até os papéis.

— E a outra Seu Gonçalo?

—É que infelizmente precipitei-me ao solo!!!!!

—Precipitou-se ao solo?!…

—Exatamente!

—Mas como?

— Sai da feira tão exultante que esqueci-me de minha deficiência visual, que não me permite uma ampla visão de espaço. Assim sendo, ao tropeçar inadvertidamente numa protuberância acabei por precipitar-me ao solo. Mas diante do acontecido pessoas solícitas socorreram-me. O que agastou-me foi que já erguido e refeito, vejo um ébrio ao lado perguntando-me:

— O senhor não perdeu uma ferradura? Foi aí que me dei conta que em um de meus pés faltava o sapato.

—Que horror seu Gonçalo!…

—Agora eu vou dizer uma coisa para o senhor: – eu, quando levo uma queda, taco mesmo é o rabo no chão! Me lasco toda! E ainda por cima chingo o maior palavrão e dou o dedo para quem estiver rindo da minha cara, e o senhor me cai com essa elegância toda? Diabo é isso Seu Gonçalo?

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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