Em nossas eleições recentes, reacenderam-se as disputas entre paulistas e mineiros. O PT mineiro já notificou 15 prefeitos aderentes ao “dilmasia” (apoio ao tucano Anastasia). E Serra ora a postular a presidência do PSDB, também ambicionada pelos mineiros. No Ceará, queixa-se o governador de que os Ferreira Gomes, ora no PSB, já ensaiam migrar para o PRB do vice-presidente José de Alencar.
Dias atrás, participo de reunião do Conselho de Ética e Disciplina do PSDB cearense. E nele me vem todo o pensamento de Celso Furtado, na palestra “Dos ideais do CIC a uma prática de governo”, de Tasso Jereissati. Fernando Henrique Cardoso, que por aqui passava à cata de adeptos para a então nascente social democracia, assistia à palestra após o debate. E terminou por confessar: “Mas esta é que é a social democracia que buscamos – a, como o baião, nascida do barro do chão”.
Nas discussões sobre as posturas antiéticas, no PSDB cearense, técnicos catalogavam facetas das traições. Até que voz mais ponderada traduziu-nos a preocupação: “Não devemos ter olhos voltados para o retrovisor, mas lançados para a refundação de um ideário social democrático à nossa frente”.
É o que esperamos nós todos.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
