Leilão de tabaco – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

  Xilogravura de J. Borges

*

A menina resolveu

Estrear o seu tabaco,

Mostrou na internet

Que era dona do buraco,

Junto com um cafetão

Botou o bicho em leilão

Entrou pra turma de Baco.

*

Um Japonês estribado,

Nas contas fez um regaço,

Foi indo de lance em lance

Sem ter maior embaraço

E para a satisfação

De quem tem pinto anão

Arrematou o cabaço.

*

A mulher que antes dava,

Agora passou a vender

O pobre está lascado,

Sem dinheiro pra comer,

E agora com a invenção,

De tabaco em leilão

A jumenta vai sofrer.

*

Quem hoje leiloa a frente,

Amanhã leiloa atrás

Quem abre o próprio negócio

Sabe que o lucro apraz

No mundo da putaria

Não falta mercadoria

E a cobiça é voraz.



*



Dalinha Catunda é poetisa e natural de Ipueiras, Ceará




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