Todas as mulheres – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Mulher melindrosa

Bonita e faceira

Safada brejeira,

Rude perigosa

Desfila garbosa

Com sua bandeira

Na missa na feira

No lar no bordel

Cumpre seu papel

Com ar de guerreira.

*

Mulher mal-amada

Sem eira nem beira

Que fala besteira

E desatinada

Se diz estudada

E bate no peito

Botando defeito

Em tudo que ver

Não sabe crescer

Mas deve ter jeito.

*

Mulher atrevida

 Que rir e graceja

Que toma cerveja

Que é seduzida

Que gosta da vida

De amor e paixão

Sem elo ou prisão

Tem autonomia

E sem ser vadia

Respira emoção.

*

A mártir do lar

Mulher não quer ser

Aprendeu bater

Pra não apanhar

Se o homem tentar

Ele entra na lenha

Maria da Penha

É lei que vigora

Quem bate agora

Algema desenha.

*

Mulher quer carinho

Não foge do laço

E sem embaraço

Refaz seu caminho

Quer flor sem espinho

E quer ser querida

Ser reconhecida

Em tudo que faz

Ser igual lhe apraz

Por ser aguerrida.

 Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
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